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Quinta, 05 de outubro de 2017, 09h04
GRAMPOS

Perri e o muro de silencio

O muro de silêncio e desinformação que subtraia nexo da “Grampolândia Pantaneira” vai, aos poucos, sendo derrubado nos inquéritos conduzidos pelo desembargador Orlando Perri com seu braço executivo nos delegados Ana Cristina Feldner e Flavio Stringheta que estabeleceram, com a primeira, uma espécie de “linha direta” com o magistrado.

A despeito das manifestações do Ministério Público, Perri tem conduzido as investigações sem ouvir o MP, declarando, taxativamente, que não é homologador de pareceres ministeriais.

E os mandados de prisão têm surgido de maneira fundamentada e profusa, atingindo 6 militares e 4 civis. Assim, aos poucos, a resistência vem sendo quebrada, com seu ponto máximo – até agora – no depoimento (delação?) do tenente-coronel Henrique Costa Soares, que confessou ter preparado farda e equipamentos, com a ajuda do sargento Ricardo Soler, para prover escuta ambiental e de vídeo, com o desembargador, para levantar elementos mínimos para propor a suspeição do magistrado na condução das investigações.

Soares, que tinha protagonizado uma carreira titubeante e protegida por seus pares para galgar o posto onde chegou devido a dependência química com recidivas, não conseguiu levar adiante o intento, nem com o estímulo de uma possível promoção a coronel “full”, prometida pelo Major Michel Ferronato.

Bem provável que o militar, com essa personalidade fragilizada, não seria capaz de levar adiante uma conversa com o desembargador sem despertar suspeitas com seu comportamento e até com o ritmo das conversas, sob intenso “stress” psicológico.

Evidente que essa decisão mudou o curso das investigações e revelou um grupo desarticulado, tentando embaralhar as investigações sobre os grampos, cada um com o respectivo pedaço de culpa, caso esse envolvimento se comprove no futuro.

Equipamento de escutas desaparecido é recuperado

José Marilson, empresário que vendeu os equipamentos, pagos pelo coronel Evandro Lesco e operados pelo cabo Gerson Correa, não resistiu à prisão e decidiu colaborar, entregando o material que lhe tinha sido confiado.

Com isso as investigações ganham novo ritmo e um contorno mais definido. Foram presos, até agora, 6 militares e quatro civis: os coronéis Zaqueu Barbosa, Ayrton Siqueira e Evandro Lesco, Major Michel Ferronato, sargento Ricardo Soler, cabo Gerson Correa Jr e os civis: advogado Paulo Taques, delegado Rogers Jarbas, empresário José Marilson e a treinadora pessoal Helen

Christie Lesco, esposa do coronel Evandro Lesco.

Comandante de Batalhão é exonerado

O Comandante da Polícia Militar, coronel Marcos Vieira da Cunha, demitiu o comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Wuendel Sodré, por ter permitido que o coronel Evandro Lesco, preso na unidade, tivesse deixado a sede da unidade para sacar dinheiro num caixa 24 horas e adquirir produtos de higiene pessoal numa Farmácia próxima, sob escolta.