Logo
Segunda, 24 de setembro de 2018, 09h11
SUCESSÃO

Eleição no Corecon: confusão à vista

O Conselho Regional dos Economistas promove a substituição de 1/3 de seus integrantes via disputa de duas chapas no seu processo de renovação periódico.

Os novos ventos que sopram, no entanto, para as entidades representativas apontam uma renovação que foi, aos poucos, eliminando as relações de compadrio, concessões a grupos de interesse ou privilégios e, sobretudo, buscando quadros de boa reputação para que essas organizações se projetem com o devido respeito no campo social.

Crivo rígido

O Corecon avançou tanto em representação quanto em qualidade dos serviços prestados aos seus associados, com a capacitação da estrutura de atendimento e fiscalização do exercício profissional num conjunto de atividades que, de certa forma, remodelou a instituição.

É esse mesmo crivo que trouxe a disputa que busca refletir o espírito que norteia a entidade e que resultou no pedido de impugnação da candidatura de Edisantos Santana, da chapa 01 - "Reforma Econômica", por responder a processos de natureza criminal eleitoral e a outros, próprios da Vara de Família, a lhe responsabilizar condutas reprimidas pela Lei Maria da Penha e até pelo descumprimento de pensões de natureza alimentícia com desdobramento mais severo em âmbito judicial.

Como se tratam de questões que desbordaram para o aspecto público tornou-se inafastável os reflexos da conduta do, agora candidato, ao conjunto que compõe e que a Chapa 02 - "Valorizando o Economista", entende como motivo conspícuo a impedir a participação desse associado na eleição tanto que se opôs à candidatura no prazo legal, 18/09/2018, pontuando as incoerências que implicam, na ótica mais ampla e como organização inserta no contexto da sociedade, na inelegibilidade do candidato.

Entre os elementos a impulsionar a impugnação figuram acusações interpostas pelo Ministério Público Eleitoral (processo 687-35.20016.6.11.0055) a tratar de corrupção e fraude em candidaturas à vereança, violência doméstica (processo criminal 8939-40.2018.811.0042) incluindo pedido de pensão alimentícia (28373-10.2015.811.0042) além de outros procedimentos, também no âmbito da Justiça, a tratarem de irregularidades em prestações de contas eleitorais.

O advogado da Chapa 02, José Márcio de Oliveira, entende que tais violações, além da transgressão a preceitos legais e que alcançaram domínio público, configuram violações ao Código de Ética do Economista pautado por princípios calcados na honestidade e humanidade. Tais fatos agridem o Artigo 12 do Código de Ética e afrontam a própria instituição no seu esforço de manter uma instituição de classe capaz de valer-se da eleição para recompor quadros de qualidade e respeitabilidade social.

Na perspectiva do advogado toda a chapa 01 - "Reforma Econômica" - representada por Renato Gorski poderá ser implicada pelo descuido, mesmo de caráter involuntário, ao indicar membro que não se enquadre no perfil buscado pela entidade nos seus quadros de representação, fato que deverá ser apreciado pela Comissão Eleitoral ressalvando-se o direito de defesa e o devido processo.

Confusão à vista

O que se observa nas eleições de diversas entidades, tanto as de representação sindical quanto aos conselhos de classe ou categoria profissional, é um intenso processo de depuração cujo objetivo é melhorar a qualidade dessas representações e os serviços que prestam à sociedade, tanto de forma direta quando indiretamente ao fiscalizarem o exercício profissional.

Deste movimento têm surgido disputas cada vez mais acirradas, com o reperfilamento de quadros, tornando as entidades mais consentâneas com uma sociedade mais exigente e com um crivo cada vez mais rigoroso sobre as representações, o que, apesar de ânimos mais acirrados, resultam em mobilização e na busca de representantes mais comprometidos.