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Segunda, 08 de outubro de 2018, 13h10
ELEIÇÕES 2018

Ressaca cívica em MT

Tirante algumas secções eleitorais com restos de material de campanha, a cidade parece não ter enfrentado o caos anterior dos "sujismundos", um notável grau de civilidade para um colégio eleitoral onde até algum tempo atrás o eleitor passava por "corredor polonês" para chegar aos locais de votação. Preparação para a votação existiu, mas, ao que tudo indica, sem incidentes ou atropelos, ao menos na capital.

O que se nota no entanto é frustração pela ausência de um segundo turno, algo que parece estar se tornando comum nas eleições estaduais.

Os políticos, no esforço pelo voto útil, induzem o eleitor a abandonar as suas preferências e despojam o cidadão do espírito de votar no candidato preferido e, depois, reavaliar as suas escolhas. 

Manipulação de pesquisas, "ataque final", e outras ações transformam as eleições numa espécie de plebiscito onde as vozes alternativas não encontram eco. Desta vez, ao menos, tivemos 3 candidaturas, Mauro Mendes (DEM), Wellington Fagundes (PR) e Pedro Taques (PSDB) que sugeriam algum esforço para um realinhamento futuro, mas, a rejeição do governador em exercício e o próprio esforço de campanha não conseguiu fazer a eleição caminhar o suficiente para um desfecho em segundo turno.

E, aos poucos, vamos ficando sem essa experiência que, por pouco, não se estendeu à eleição presidencial tamanha a compressão em busca do voto útil.

Seria interessante a classe política instituir o "referendo revocatório" em meio do mandato, uma forma de evitar falsos impeachments e afastar eventuais eleitos incapazes de honrar as promessas de campanha.

E o referendo revocatório é tão democrático quando uma eleição em segundo turno.

Com sabor de ressaca cívica, ou, não, Mauro Mendes é o governador eleito.