Cuiabá (MT), sexta, 18 de agosto de 2017
Turma do Epa
Segunda, 19 de junho de 2017, 09h04
Chapeu MASCULINIDADE

A verdade nua e crua

A partir de seus retratos em plano médio de genitais masculinos, a britânica Laura Dodsworth compila também os depoimentos de uma enorme variedade de homens
EL PAÍS  / Cuiabá-MT
Laura Dodsworth se define como uma especialista em fotografar pessoas. Em seu mais recente livro, "Manhood: The Bare Reality" (“Masculinidade: a verdade nua e crua”, em tradução literal), ela conta as histórias por trás de 100 pênis. A partir de seus retratos em plano médio de genitais masculinos, a britânica compila também os depoimentos de uma enorme variedade de homens, questiona os mitos em torno deles e revela algumas de suas inquietações. 

"É impossível generalizar, mas se há algo em comum a muitos dos entrevistados é sua necessidade de estabelecer uma conversa íntima e reveladora”, conta a autora ao EL PAÍS.

Foram 100 encontros com 100 homens posando para a câmera. “Nem um a mais, nem um a menos. Tudo entrou no livro”, diz Dodsworth. Este ensaio visual sobre a masculinidade é composto de relatos pessoais. Um dos entrevistados conta como enfrentou a perda de seus dois testículos por causa de um câncer antes dos 35 anos, outro revela como é viver com síndrome de Asperger e um jovem fala das ideias pré-concebidas que o acompanham por ele ser negro.

O resultado deste livro da editora Pinter & Martin é, no entanto, um mosaico de questões universais. Aborda a sexualidade sob a perspectiva masculina – independentemente da orientação sexual -, sua relação com o poder e o fato de ser pai ou marido.

E também se os homens pensam com frequência sobre o tamanho de seu pênis.

A resposta, como suspeitávamos, é que se trata de uma preocupação geral. A fotógrafa confirma também que os homens têm dificuldade em falar de seus sentimentos, mas insiste que, ao mesmo tempo, desejam ser ouvidos.

Dodsworth selecionou os assuntos que queria abordar e buscou os depoimentos através de amigos ou associações. Em seguida, se apresentou a cada um deles sem ter pesquisado excessivamente, para preservar a espontaneidade. “A verdade é que muitas vezes nem eles mesmos sabiam qual era a história que queriam contar; encontravam-na à medida que iam falando”, explica.

Nenhum dos entrevistados mostra seu rosto nem dá seu nome, mas revela sua idade. “Quase desisti enquanto buscava um padre que aceitasse falar e posar nu, mas no fim encontrei”, conta a fotógrafa. O religioso, de 39 anos, confessou a ela: “Tenho dúvidas sobre se é necessário esperar até o casamento para fazer sexo. Há uma mistura de estranhamento, decepção e vergonha quando uma pessoa começa a fazer sexo com seu parceiro depois de respeitar essa norma”.

Tendo em mente que o sexo e a relação com o próprio corpo são dois assuntos inevitáveis em relação a estes retratos, a autora percebe diferenças entre as gerações neste conjunto de depoimentos. “Os mais jovens cresceram com a pornografia na Internet, mas os mais velhos se dizem felizes por não ter vivido isso na juventude, apesar de agora consumirem esse tipo de material. Um rapaz de 20 anos chegou a me contar que teve que parar de assistir porque tinha perdido a capacidade de atingir o orgasmo quando transava com uma mulher”, comenta.

Alguns dos homens descrevem situações como a demissexualidade (quando só sentem desejo se tiverem uma conexão emocional com a outra pessoa), provavelmente sem saber que a situação tem um nome. Com seus depoimentos, questiona-se a pré-concepção relacionada com o masculino e o desejo sexual irracional.

Em um momento em que os papeis de gênero começam a se confundir, Dodsworth acredita ser importante que estes 100 homens tenham respondido a perguntas feitas sob uma perspectiva feminina. Era seu desafio depois de ter publicado, em 2014, um livro semelhante, no qual o fio condutor eram as mulheres e o retrato recorrente era de seus seios nus.

Nenhum dos dois livros de Dodsworth pretende impor dogmas de gênero. Ela convida cada leitor a tirar suas próprias conclusões a partir dos depoimentos, apesar de ter sua própria interpretação: “O feminismo ajudou as mulheres a redefinir a feminilidade em seus próprios termos e a se libertar de certos estereótipos. Aprendi que os homens são encantadores, mas continuam brigando entre si. O caminho até a igualdade é longo”. (*texto de Héctor LLanos Martínez) 

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Eparre

Terça, 15 de agosto de 2017

Vocês estão todos no grampo. Se não for ilegalmente alguém da Justiça já deve ter determinado grampo em vocês. Ta todo mundo quietinho e aprovando prisão de qualquer jeito e vocês acham que prisão é pro cara ficar no bem bom?

Sexta, 04 de agosto de 2017
Ubiraci Carvalho
Caramba! Que rolo togado esses tais grampos. É um envolvendo o outro e outro envolvendo o um e mais um. VOte.

Sexta, 04 de agosto de 2017
K.W
Por mais que o povão gosta da desgraça alheia é bom ficar claro que prisão não é sala de suplício. Ou precisa desenhar?

Sexta, 04 de agosto de 2017
Odacil Ferreira
Gosto da informação apurada como estas que vcs publicam. E a seriedade com que tratam o assunto. As posições onde vcs se expressam através da coluna são absolutamente corretas. Querem fazer os militares bodes expiatórios e passarem por cima das leis. Onde já se viu querer mandar um coronel ex-comandante da PM, um ex-chefe da Casa Militar para um Presídio de segurança máxima? Regime Diferenciado é para cumprimento de pena ou excepecionalíssimo e não para servir a mesquinharias e a jogo de vaidades.

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