A deputada Janaina Riva (MDB) subiu nos tamancos contra o secretário da Casa Civil Fábio Garcia, que é deputado federal mas trai seus eleitores e fica em Cuiabá para cumprir ordens do governador e se beneficiar do cargo pensando na reeleição em 2026. Nega à sua suplente Gisela Simona o direito de apresentar emendas, que o titular usa como arma eleitoral. Fábio disse a um prefeito do interior que não pagaria as emendas da deputada. Uma bravata, pois as emendas são impositivas, ou seja, o governo é obrigado a pagar.
Sem medo
“Quero dizer ao secretário Fábio Garcia: vai pagar cada centavo das minhas emendas. E se não pagar, vai me enfrentar com muita força aqui na Assembleia de uma forma que ele nunca viu”, disparou a parlamentar. “Esse é um direito que me foi dado nas urnas. Ele não vai usar dinheiro público para perseguir deputado. Eu não tenho medo dele, nem do governador. Ele está achando que vai me fazer de palhaça, a deputada mais votada nesse estado, a única mulher. Fazendo chantagem barata, pelas costas. Seja homem, fala isso pra mim”. Pressionado, Fabinho confessou que o governo vai deixar as emendas da oposição por último, como retaliação.
Ataques a José Riva
Sem argumentos para contestar a deputada, Fabinho preferiu dizer que Janaína é filha da corrupção do pai, o ex-deputado José Riva. Fabinho também tem telhado de vidro. A Engeglobal, tocada por seu pai, o empresário Robério Garcia, é uma empreiteira famosa por deixar esqueletos de obras inacabadas, causando prejuízos milionários ao erário. Em 1991, pegou recursos da Sudam e começou a construir um hotel na avenida do CPA. Até hoje, 28 anos depois, a obra não foi concluída. Dinheiro público jogado no lixo. A empreiteira também abandonou a revitalização do córrego 8 de Abril e os centros oficiais de treinamento do Pari e da UFMT, em Cuiabá. E ainda interrompeu pela metade a reforma do aeroporto internacional Marechal Rondon.
Mídia esconde
A denúncia da deputada foi o assunto do dia na Assembleia. Mas parte da imprensa local simplesmente ignorou o fato, por motivos óbvios: podem perder as polpudas verbas da Secom do governo. Os telejornais da TV Centro América, que tem o maior aporte de mídia pública estadual, não deram uma linha, assim como o site Primeira Página que é do grupo. A maioria dos sites de política deu destaque à resposta de Fábio Garcia, mais que à denúncia da deputada. Recentemente o governador cortou toda a verba publicitária que era destinada ao Grupo Gazeta, em represália às denúncias de A Gazeta contra o filho do governador, minerador flagrado com mercúrio ilegal em seus garimpos que detonam o meio ambiente na região da Chapada. E ainda processou o jornalista que denunciou os crimes do menino.
Senado em jogo
Janaína é o principal alvo do governador que teme um revés na disputa ao Senado. Mauro já impediu que ela tivesse destaque na Mesa Diretora da AL como primeira-secretária. Mauro impôs à sua base a rejeição a Janaína e a solução foi colocar o Dr. João (PMDB) que vota com o governo. Mauro teme destino semelhante ao do ex-governador Dante. Saiu bem aprovado do governo e perdeu a eleição para o Senado. Além de Janaína, voto certo de boa parte da população, o governador enfrentará o ministro Carlos Fávaro, o bolsonarista José Medeiros, o produtor rural Antonio Galvan e o senador Jayme Campos. A boa surpresa deve ser a candidatura do ex-procurador da República, ex-senador e ex-governador Pedro Taques, que teve passagem brilhante pelo Senado. Ele voltou a pontuar nas redes sociais, criticando com vigor os desmandos do governador atual.
Escárnio
Está sobrando dinheiro em Guarantã do Norte. O prefeito Márcio Gonçalves (Novo) usa velhas práticas eleitoreiras para impressionar os cidadãos. Ele contratou os cantores sertanejos Matheus & Kauan e Luan Pereira por mais de R$ 1,2 milhão em abril. Dinheiro que com certeza poderia ser bem aplicado em obras para a população. Esta prática nociva permeia vários municípios mato-grossenses, um escárnio que não tem merecido a atenção do Ministério Público ou das Câmaras municipais que deveriam fiscalizar as prefeituras. Os prefeitos estão se lixando para os problemas das cidades e optam pelo circo que rende prestígio político e eleitoral.

