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Sábado, 25 de abril de 2015, 20h29
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Fatos relevantes

Juacy da Silva


No  desenvolvimento dos  estudos de futuro, para que os  cenários sejam ao mesmo tempo um  referencial para o planejamento politico  e  estratégico e  também um instrumento de acompanhamento da realidade, a  definição  e  estabelecimento dos “fatos  relevantes” ou fatos portadores de futuro, é  de fundamental   importância para  um projeto nacional.

Neste  aspecto, são  importantes  tanto a dinâmica  interna quanto  os acontecimentos mundiais e as repercussões dos mesmos nas  relações  internas. Este  é  um exercício que exige dos governantes  uma  visão  de  estadista, jamais o aprisionamento em questões de menor importância e nem a miopia da visão ideológica, que tanto prejudica as ações do governo quanto do empresariado  e da sociedade como um todo.

Esta é a diferença entre a dinâmica política institucional dos países do primeiro mundo e dos subdesenvolvidos e também dos emergentes. Todo e qualquer país que aspire por uma postura de independência, liderança regional ou atingir o nível de uma potência  emergente  ou potência mundial precisa ter um projeto nacional e seus governantes necessitam ter a habilidade e a  capacidade de construir um modelo de desenvolvimento de médio  e longo  prazos, ou seja,  desenhar os caminhos a seguir pelos próximos dez ou vinte anos, independente de que partido ou aliança  esteja no poder. Sem isto, o país  consegue  realizar apenas  os “voos  de galinha’  como dizem os analistas políticos e geopolíticos, jamais  uma  visão  de longo alcance.

O acompanhamento dos acontecimentos mundiais, seus desdobramentos, a organização de blocos econômicos ou de alianças políticas  e militares definem os grandes rumos no cenário internacional, cabendo a  cada país  defender  seus  interesses nacionais, jamais subordinando-os  ao crivo do partido ou aliança no poder, caso em que a mediocridade pode reduzir o peso politico e  estratégico nacional  no contexto internacional.

Governantes que confundem interesses nacionais com interesses de grupos  econômicos  ou políticos podem perder o bonde da história  e colocar seus países  de joelho perante as  grandes potências,  contribuindo assim para o agravamento da crise interna.  Parece que na  presente conjuntura Brasil, Argentina e  Venezuela são  exemplos típicos , na América  Latina, deste tipo de governos populistas, incompetentes, medíocres e corruptos e que estão jogando por terra o futuro de seus  países.

No contexto internacional alguns fatos relevantes  podem ser identificados  no  agravamento do conflito no oriente médio; o  avanço das negaciações para a criação do mega-bloco  econômico e politico-militar transatlântico,  entre União Européia e Estados Unidos, e, complementarmente pelo Canadá  e México, que   juntamente com os EUA, fazem parte do NAFTA; o reatamento das relações diplomáticas entre EUA e Cuba, com desdobramentos para as  áreas  econômica e política;  o lancamento da candidatura de  Hillary  Clinton como postulante `a  Casa Branca pelo Partido Democrata;  o acordo do  G7,  liderados pelos  EUA  com o Iran, em relação ao programa nuclear daquele país; o fortalecimento dos pactos  de defesa  entre  EUA  e países asiáticos  para neutralizer o avanço militar  da China  e, finalmente, o empenho dos EUA  para  fortalecer a OEA  como entidade representativa  dos países do continente Americano, enfraquecendo  sobremaneira a UNASUL  e  seu  projeto bolivariano, onde o Brasil adereiu de forma equivocada.
No Plano interno, podemos destacar  como fatos  relevantes  o aprofundamento das investigações da Operação Lava-Jato, incluindo esta 12a.  fase, com a prisão de Vacari, tesoureiro do PT    o que pode aprofundar ainda mais a crise política em que a Presidennte  Dilma e seu  partido  e aliados estão engolfados; o aprofundamento da crise econômica e a insegurança e indignacão que  este fato poderá  ter sobre a população ameaçada pela inflação, pela  deterioração da qualidade  dos serviços públicos, aumento acelerado do endividamento  das familias, o temor do desemprego  que está  crescendo a olhos vistos; a perda  da capacidade de articulação política e de governar  da Presidente, que aos poucos se  torna prisioneira do seu partido  e de seu grande aliado, o PMDB; dos equivocos  dos pacotes econômicos de seu novo ministro da fazenda; o aumento do poder de articulação, em  oposição ao Palácio do  Planalto,  por parte dos presidentes da Câmara Federal e do Senado. 

A continuar  neste rítimo dentro embreve Dilma  será  igual a Rainha da Inglaterra, que tem a pompa  do cargo mas não governa  nada. Estamos vivendo quase  um regime parlamentarista  de fato, enquanto a reforma política não o institui na prática.  O Poder do vice-Presidnte, que é do mesmo partido que os presidentes da Câmara e do Senado, projeta  um cenário complicado  para Dilma, o PT e o sonho de Lula retornar em 2018.

Outro  fator  relevante  são  as manifestações  populares que  estão  tomando conta  das ruas e praças  do país  inteiro, onde o povo expressa  tanto o FORA CORRUPTOS, quanto o FORA DILMA  e FORA PT, caso  este descontentamento seja ampliado  e fortalecido pelo  aprofundamento da crise econômica, tanto o  Impeachment quanto uma possível renúncia de Dilma  serão fatos  relevantes  dentro  de pouco tempo. Vamos  acompanhar e ver o que vai acontecer nos próximos meses.


Juacy da Silva

Professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy