Cuiabá (MT), sexta, 19 de abril de 2019
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Terça, 08 de abril de 2014, 13h59
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295 anos de Cuiabá:

Juares Silveira Samaniego


O clima quente e a receptividade dos moradores de Cuiabá talvez sejam as características mais lembradas pelas pessoas que passam pela capital, que comemora 295 anos no dia oito de abril. Em quase 300 anos, a cidade de Cuiabá se transformou econômica e culturalmente e, apesar das mudanças, o estilo moderno e tradicional dos prédios e das ruas convivem paficamente. Nos últimos 49 anos, a história da cidade se mescla com a atuação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), criado provisoriamente em 1966, com o aumento populacional, a organização do espaço urbano, além do desenvolvimento tecnológico nas áreas da engenharia e agronomia. O engenheiro civil Mário da Silva Saul, primeiro presidente do Crea Mato Grosso, afirma que o Regionam mato-grossense era apenas uma Delegacia do Crea de S&ati lde;o Paulo. Os poucos engenheiros residentes em Cuiabá reuniam-se no Clube de Engenharia, hoje Instituto de Engenharia e logo surgiu a idéia de que eles deveríamos constituir um Crea próprio. A maioria optou pela criação do Crea-MT. 
 
Foi então que em 07 de dezembro de 1966 o Conselho Federal, criou em regime transitório o Crea da 14 Região, o nosso Crea, com jurisdição em Mato Grosso e o Território de Rondônia.Com 98 profissionais registrados e 16 empresas registradas até 1968, ano em que o Crea foi instalado de maneira definitiva, a missão do Conselho pôde ser colocada em prática. O maior desafio era convencer os engenheiros que Mato Grosso já possuía um Crea. Outro desafio era conseguir que os leigos que exerciam atividades de engenharia deixassem de o fazer. A principal função dos Creas é a proteção da sociedade no que se refere às atividades da engenharia. Isso é obtido através de intensa fiscalização. Fiscaliza-se o profissional no que se refere a sua habilitação, bem como, e mais importante, o exercício profissional por leigos.
 
Ainda em 1968, teve início, em Cuiabá, o primeiro curso de graduação de engenharia civil, que depois foi incorporado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no ano de sua criação, 1970. A formação de profissionais na área tecnológica e a criação de empresas foram uns dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento da construção civil na capital e no Estado de Mato Grosso. Em 1969, no dia oito de abril, aniversário da cidade de Cuiabá, foi inaugurado um dos marcos da engenharia e arquitetura mato-grossense: o edifício Maria Joaquina, primeiro residencial vertical, encravado no centro da cidade, com 15 andares e 52 apartamentos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Índice Nacional de Construção (Sinapi) acumulou alta de 5,8% de janeiro a setembro e de 7,1% no último a no em Mato Grosso. Em 1994 havia cerca de 650 empresas de construção civil que atuavam no Estado. Hoje são 6.871, o que evidencia como o setor cresceu. O número de profissionais da área também aumentou consideravelmente, de 6.534 passou para mais de 14 mil, sendo 3.754 da modalidade civil. 
 
A demanda do setor da construção civil por registro e, consequentemente, fiscalização é maior atualmente, tendo em vista o crescimento e desenvovlmento econômico de Mato Grosso e do país, e também os eventos esportivos que vão acontecer, como a Copa do Mundo de Futebol. Prova disso é que ao andar por Cuiabá é possível perceber que a cidade se transformou num canteiro de obras. São prédios e hotéis em construção, casas em reforma, ruas sendo ampliadas e pavimentadas, e assim por diante. O nosso desafio atual é conseguir conciliar a capacidade de atuação do Conselho com essa demanda, cada vez mais crescente. É importante continuar aprimorando os serviços oferecidos pelo Crea para manter em atuação somente os profissionais habilitados e, assim, garantir que a sociedade cuiabana e mato-grossense esteja segura.
 
Cuiabá ser uma das sedes da Copa do Mundo de futebol contribuiu muito para que isso acontecesse, mas esse boom vem de tempos e vai ainda muito longe. A construção civil, mesmo com esse boom, sofre um problema: a mão-de-obra especializada escassa. A reclamação de empresas e construtoras é a de que nunca encontram funcionários suficientes e que muitos deles não têm a técnica necessária. Não necessariamente de engenheiros e arquitetos, mas serventes, pedreiros e mestres de obra, principalmente. Há engenheiros de sobra no mercado, mas, como querem pagar pouco a eles, acabam indo para outras áreas de atuação. Boa parcela de empresas privadas e gestores municipais não valorizam a profissão e veem engenheiros como despesa e não como investimento. E, quando não os contratam, cometem muitos erros técnicos que acarretam sérios problemas.
 
Para comprovar a desvalorização do profissional, vejamos os dados: a quantia paga a um engenheiro é de mais ou menos 4% o valor da obra. Mas quando ela está pronta e é vendida, a imobiliária cobra e ganha de 6% ou mais. Desde maio de 2011 está em vigor a Norma Brasileira (NBR) 1575. São exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que moldam principalmente as construções de edifícios. Entre os vários quesitos, o mais destacado é a sustentabilidade da obra. Apesar de ainda ser tímido, esse novo modelo de trabalho é o caminho para o futuro. Entre outros aspectos, é a busca de materiais alternativos que exerçam menor destruição na natureza. É impossível falar em progresso sem algum impacto. Nós precisamos dos recursos para o bem da humanidade. Só de o homem se estabelecer em um local, já gera demanda ambiental. Precisamos entender que é preciso fazer isso de forma consciente e ecológica para que a construção civil continue crescendo, e, consequentemente Cuiabá. Os profissionais do ramo esperam que o governo valorize o setor e procure pela estabilidade econômica, principalmente com a abertura que as obras da Copa trazem para Cuiabá para que tenhamos um legado de obras sustentáveis e modernas,melhorando assim a vida da população.



Juares Silveira Samaniego

Presidente do Crea-MT


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