Cuiabá (MT), sexta, 28 de abril de 2017
Leitura

Quinta, 21 de janeiro de 2016, 14h12
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De anjos e demônios

Eduardo Gomes


Gratidão é o sentimento que carrego no peito pela aceitação e os elogios que recebi ao publicar no final de 2015 o modesto livro “Dois dedos de prosa em silêncio”. Gostaria de citar os leitores que compraram exemplares e os que me telefonaram ou mandaram mensagens enaltecendo o texto e a contextualização das 50 crônicas ilustradas por Generino Rocha - o chargista deu um toque de leveza e irreverência visual ao conteúdo. Não o faço por duas razões: a relação não caberia neste espaço e, pior, poderia cometer injustiça omitindo nomes.

A publicação de Dois dedos... foi interessante por se tratar de obra crítica em sua maior parte, o que a faz diferente dos padrões da boa literatura mato-grossense, que não se dedica a apontar erros de figuras de proa no poder e daquelas que gravitam em seu entorno. A narrativa levou muitos rostos nobres a torcerem o nariz e tal reação foi compartilhada pelos adoradores do poder. Em compensação, junto ao povo, arrancou boas gargalhadas com seus trechos hilários e suspiros de indignação com suas denúncias e correções históricas.

Dois dedos... não foi livro pardal. Extrapolou os limites de Cuiabá. Avançou pelo abençoado e ensolarado Mato Grosso. Chegou a muitas cidades e vilas. Atravessou porteiras de fazendas e sítios. Posso muito bem atestar sua capilarização apresentando os recibos de sua postagem nos Correios para endereços em 84 municípios, apesar da pouca cobertura que teve da imprensa.

Publiquei Dois dedos... e um ano antes, o LIVRO 44, ambos sem apoio das leis de incentivo cultural. O elevado custo de produção resultou no preço de capa das obras e me impediu de presentear amigos e conhecidos com minha acanhada produção literária, se me permitem chamar assim os dois livros.

Não sou escritor nem tampouco historiador. Mesmo assim, o volume de informações que acumulei nas décadas que atravessei enfurnado em redações me inspirou a publicar mais um livro, esse sobre a biografia não autorizada do ex-deputado estadual José Riva, que é figura conhecida por todos os adultos mato-grossenses que bebem água.

Espero em breve botar o livro nas bancas e vendê-lo por mala direta, pois a exemplo dos anteriores, sua publicação não leva a generosa melosa chancela do incentivo cultural.

O livro está quase pronto. Diariamente dedico horas sintetizando o texto sem que isso implique em omitir informação, e tendo o cuidado de não ferir pessoas e instituições, mas sem poupá-las por eventuais erros que tenham cometido em suas relações com o personagem. A trajetória de Riva não é o caminhar de um indivíduo. Acho que se trata de um ciclo de intensa institucionalidade informal recheado por figuras que se apresentam angelicais, embora carreguem o tridente amoitado. Aguardem para ler sobre ele com seus anjos e demônios.  


Eduardo Gomes

Jornalista


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 Disfarce técnico


O conselheiro Antonio Joaquim conseguiu dar um bom disfarce técnico ao posicionamento que vem adotando no embate que trava com o Executivo para vasculhar a vida de empresas ligadas ao agronegócio, as grandes exportadoras do Estado e beneficiadas pela Lei Kandir que as livra de pagarem ICMS.

  Sigilos Fiscais


Os auditores fiscais e os técnicos foram louvados pela certeza de que guardarão os sigilos fiscais das empresas que vierem a ser, concomitantemente, fiscalizadas por quem tem atribuição expressa para esmiuçar CNPJs e CPFs e outros cujo trabalho deve se centrar na avaliação das metodologias empregadas e no seu resultado efetivo. Quem precisa esmiuçar as contas são os bem pagos fiscais do Estado.

  Transferencia de sigilo


Turma do Epa não exerce nenhuma atividade tributária a não ser os estipêndios que paga a duras penas para o Fisco. Não vai entrar numa discussão que será decidida mais à frente pela Justiça, pois, ultimamente, virou moda tudo acabar no Judiciário.

  Pendengas úteis e outras fúteis


Só se vai saber se a pendenga judicial entre o TCE e o Governador é útil daqui a tempo suficiente para que este fato fique no passado quando será quinquilharia política ultrapassada. Por ora, ante a eleição que se avizinha, é hora de reforçar o bodoque para apedrejar as vidraças alheias. E, convenientemente, esquecer das próprias.

 Competencia técnica


Não se discute a competência técnica dos bons quadros concursados do Tribunal de Contas do Estado e de abnegados que frequentam a Casa por expressa disposição constitucional que salvaguardou os respectivos empregos. O escrutínio dos CNPJs não parecem adequados ao teste de metodologias destinadas a apurando conjuntos ou subconjuntos de contribuintes enfeixados num mesmo CNAE. E isso nada tem a ver com competencia técnica, mas, com método.

 Sonegação de grandes produtores


Que volta e meia se encontram grandes sonegadores entre os, também, grandes exportadoras, não é novidade. Os quadros técnicos da Secretaria de Fazenda e as instâncias administrativas e jurídicas que têm espaço reservado na SEfaz fazem um bom trabalho e a superposição de tarefas com o órgão de controle externo afigura-se mais como interesse político oportuno.

 Atribuições


Só agora foram descobertas, entre as atribuições do Tribunal de Contas, a capacidade de fiscalizar tanto as despesas quanto as receitas. A descoberta tardia do poder sobre as receitas atende ao quadro eleitoral que se avizinha já que esta competencia poderia ter sido invocada há muito tempo. Agora cheira mais à necessidade de se ocupar algum protagonismo político e se marcar posição. Nada mais.

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