Cuiabá (MT), sexta, 18 de agosto de 2017
Leitura

Quinta, 21 de janeiro de 2016, 14h12
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De anjos e demônios

Eduardo Gomes


Gratidão é o sentimento que carrego no peito pela aceitação e os elogios que recebi ao publicar no final de 2015 o modesto livro “Dois dedos de prosa em silêncio”. Gostaria de citar os leitores que compraram exemplares e os que me telefonaram ou mandaram mensagens enaltecendo o texto e a contextualização das 50 crônicas ilustradas por Generino Rocha - o chargista deu um toque de leveza e irreverência visual ao conteúdo. Não o faço por duas razões: a relação não caberia neste espaço e, pior, poderia cometer injustiça omitindo nomes.

A publicação de Dois dedos... foi interessante por se tratar de obra crítica em sua maior parte, o que a faz diferente dos padrões da boa literatura mato-grossense, que não se dedica a apontar erros de figuras de proa no poder e daquelas que gravitam em seu entorno. A narrativa levou muitos rostos nobres a torcerem o nariz e tal reação foi compartilhada pelos adoradores do poder. Em compensação, junto ao povo, arrancou boas gargalhadas com seus trechos hilários e suspiros de indignação com suas denúncias e correções históricas.

Dois dedos... não foi livro pardal. Extrapolou os limites de Cuiabá. Avançou pelo abençoado e ensolarado Mato Grosso. Chegou a muitas cidades e vilas. Atravessou porteiras de fazendas e sítios. Posso muito bem atestar sua capilarização apresentando os recibos de sua postagem nos Correios para endereços em 84 municípios, apesar da pouca cobertura que teve da imprensa.

Publiquei Dois dedos... e um ano antes, o LIVRO 44, ambos sem apoio das leis de incentivo cultural. O elevado custo de produção resultou no preço de capa das obras e me impediu de presentear amigos e conhecidos com minha acanhada produção literária, se me permitem chamar assim os dois livros.

Não sou escritor nem tampouco historiador. Mesmo assim, o volume de informações que acumulei nas décadas que atravessei enfurnado em redações me inspirou a publicar mais um livro, esse sobre a biografia não autorizada do ex-deputado estadual José Riva, que é figura conhecida por todos os adultos mato-grossenses que bebem água.

Espero em breve botar o livro nas bancas e vendê-lo por mala direta, pois a exemplo dos anteriores, sua publicação não leva a generosa melosa chancela do incentivo cultural.

O livro está quase pronto. Diariamente dedico horas sintetizando o texto sem que isso implique em omitir informação, e tendo o cuidado de não ferir pessoas e instituições, mas sem poupá-las por eventuais erros que tenham cometido em suas relações com o personagem. A trajetória de Riva não é o caminhar de um indivíduo. Acho que se trata de um ciclo de intensa institucionalidade informal recheado por figuras que se apresentam angelicais, embora carreguem o tridente amoitado. Aguardem para ler sobre ele com seus anjos e demônios.  


Eduardo Gomes

Jornalista


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Eparre

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Caso se queira impedir que as corporações de ofício se apropriem do orçamento público em benefício próprio como tem acontecido, está na hora de rever a ?autarquização? de cada Poder na estipulação dos respectivos orçamentos. A ?farra do boi? dos supersalários precisa ser revista sob pena se ter um ?subsídio? simplesmente figurativo e o grosso das remunerações acontecerem por acréscimos sem quaisquer incidências tributárias como ocorre atualmente.

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Quando não é catástrofe, "delação monstruosa" e outros delitos, há o comparecimento regular de Mato Grosso na mídia nacional pelo que acontece de pior em seu território e nas respectivas instituições. O supersalário de juízes é um exemplo que traz uma verdade embutida: o Judiciário nunca respeitou a lei no que se refere a salários. E, com isso, não se deseja que a magistratura seja mal remunerada, apenas, que seja remunerada sem se transformar numa casta.

 Apropriação do Orçamento Público


No princípio - a atribuição do poder de elaborar o próprio orçamento - desejava-se, tão somente, que uma eventual hipertrofia do Executivo não deixasse os demais poderes à míngua. Era um desejo legítimo. Foi conspurcado ao longo de décadas de péssima gestão.

 Expedientes para ampliar benefícios


E o Judiciário age da forma mais desabrida possível quando se trata dos próprios interesses corporativos. Começou pelo nepotismo - nomeação de parentes e apaniguados, agora reduzida apenas a parentes - e estipulação de vantagens que não eram divulgadas ao grande público. A obrigatoriedade da publicação ainda não desvendou a ?caixa preta? mas já permite ao contribuinte escandalizar-se com os supersalários.

 A autarquização e espeto geral


O que se observa é o fenômeno da "autarquização" no que se refere ao poder de estipular o próprio orçamento e pendurar a conta no Executivo. A Defensoria Pública também virou uma "autarquia" que se gerencia. Assim, no caminho do Judiciário, Legislativo, Tribunal de Contas, Defensoria Pública envereda-se para o "espeto geral" no Executivo e, por tabela, diretamente no bolso do contribuinte indefeso e indefensável diante da gula pantagruélica das corporações de ofício.

Eparre

Terça, 15 de agosto de 2017

Vocês estão todos no grampo. Se não for ilegalmente alguém da Justiça já deve ter determinado grampo em vocês. Ta todo mundo quietinho e aprovando prisão de qualquer jeito e vocês acham que prisão é pro cara ficar no bem bom?

Sexta, 04 de agosto de 2017
Ubiraci Carvalho
Caramba! Que rolo togado esses tais grampos. É um envolvendo o outro e outro envolvendo o um e mais um. VOte.

Sexta, 04 de agosto de 2017
K.W
Por mais que o povão gosta da desgraça alheia é bom ficar claro que prisão não é sala de suplício. Ou precisa desenhar?

Sexta, 04 de agosto de 2017
Odacil Ferreira
Gosto da informação apurada como estas que vcs publicam. E a seriedade com que tratam o assunto. As posições onde vcs se expressam através da coluna são absolutamente corretas. Querem fazer os militares bodes expiatórios e passarem por cima das leis. Onde já se viu querer mandar um coronel ex-comandante da PM, um ex-chefe da Casa Militar para um Presídio de segurança máxima? Regime Diferenciado é para cumprimento de pena ou excepecionalíssimo e não para servir a mesquinharias e a jogo de vaidades.

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