Cuiabá (MT), quarta, 28 de junho de 2017
Leitura

Segunda, 15 de fevereiro de 2016, 18h24
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De desagravos

Eduardo Gomes


Mato Grosso foi destaque nos desfiles das escolas de samba do


Rio e paulistanas. Na Sapucaí, a Unidos da Tijuca ficou em

segundo lugar, com 269,7 pontos, apenas um décimo atrás da

vitoriosa Mangueira. Em São Paulo a Mancha Verde retornou à

elite ao se sagrar campeã do Grupo de Acesso, com 269,4 pontos

e batucando o enredo “Mato Grosso, uma Mancha Verde no Coração

do Brasil”.

As duas escolas mostraram ao mundo o verdadeiro Mato Grosso,

aquele que dá certo, que cresce, é gostoso, envolvente,

hospitaleiro e está de portas abertas a brasileiros e nascidos

em outros países. Mais: a Unidos da Tijuca ao cantar a pujança

agrícola e Sorriso estratificou a magnitude mato­grossense.

Entendo que as mensagens nos enredos das duas escolas

aconteceram no momento certo. Fora de suas divisas e fronteira

Mato Grosso não poderia mais continuar com a pecha de estado

em ruína moral na esfera pública, onde políticos, servidores

públicos e empresários ora estão do lado de fora ora do lado

de dentro dos presídios.

Em cada cabeça uma sentença. Que se leve em cana todos que a

Justiça julgar que meteram a mão no erário público, mas que

não se faça disso a bandeira de Mato Grosso. Da forma que as

operações policiais que investigam órgãos públicos,

autoridades, ex­autoridades, servidores e empresas são

mostrados ao Brasil cria­se um fosso que bota investidores do

lado de fora da nossa terra. Uma das regras para motivar a

opção de empresários por determinada região é a segurança

jurídica. Sem ela o lugar perde seus atrativos. E se não

chegamos a tal ponto, estamos bem perto dele com o cheiro do

estado policialesco no ar. Mais: pior é que paralelamente a

esse odor, não há avanço administrativo nesta terra que

aprendeu conjugar o verbo crescer.

Brava Mancha Verde! Brava Unidos da Tijuca! Vocês foram

digorestes. Lavaram a alma mato­grossense. Mostraram aos olhos

do Brasil e do mundo que o berço de Rondon é maior que os

homens públicos e que sobre ele não pesa nenhuma mácula, por

mais que a imagem distorcida tente sufocar a divulgação dos

nossos roteiros turísticos, a força do nosso agronegócio, a

qualidade de vida de nossas cidades recém­criadas, o casamento

perfeito do céu infinitamente azul com os raios do sol, a

cumplicidade do clima que mistura temperatura com calor

humano...

Pedi licença à minha condição de portelense. Torci muito pela

Unidos da Tijuca, como se ela fosse uma escola nossa, aqui do

Araés, ou da Varjinha, em Leverger. Não havia faixas na

Sapucaí com referências a Mato Grosso e Sorriso. Isso era

esperado porque nem o governo nem a prefeitura demonstraram

interesse em reforçar a grande divulgação que caiu no colo do

Estado e daquele município. Sambemos todos o imaginário samba

dos desagravos lá fora, onde Mato Grosso teima em não mirar.

Eduardo Gomes

Jornalista


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