Cuiabá (MT), terça, 13 de novembro de 2018
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Terça, 09 de agosto de 2016, 11h03
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O preço do voto

Rui Perdigão


A recente reforma eleitoral começa a produzir os seus efeitos. Novas regras no financiamento de campanha, no limite de gastos e outras mudanças na lei começam a fazer o seu caminho e assim, como com a lei da ficha limpa, introduzem importantes alterações no sistema.

A atual frustração de um grande número de potenciais pré-candidatos é já resultado disso. Ir a votos sem dinheiro e sem provas dadas na resposta às necessidades concretas das populações requer, no mínimo, fortes convicções em ideais sociais consubstanciados em programas desprovidos de estranhos interesses. Isso é pedir demais a muitos senão mesmo o impossível e os próprios começam a compreender que não basta já só fazer promessas, pois o eleitor aos poucos está a assumir ser ele mesmo uma expressão política e a exigir que os eleitos cumpram as suas obrigações da representatividade. Assim, concorrer para servir não está a estimular aqueles que habitualmente se arranham para conseguir ocupar um cargo e onde cada vez mais se observa não bastar somente ocupá-lo, é preciso agora desempenhá-lo e bem.

Por outro lado, os tradicionais financiadores de campanhas estão também eles apreensivos com a idéia e pedidos de injeção de dinheiro no processo eleitoral. Apreensivos pelas incertezas em conseguir assegurar o reembolso da sua aplicação financeira, em virtude das más práticas no exercício de funções públicas se encontrarem com maior grau de intolerância e bem mais susceptíveis de investigação. E apreensivos também por desagrado na dificuldade em manter sigilo da promiscua relação com agentes públicos que, despertos para o crime, acabam revelando mais vaidades do que códigos de honra. Vaidades essas que exibem em praça pública babando para simples cidadãos comuns, taxistas, vendedores, professores, o pre& ccedil;o de uma cadeira de vereador, de deputado ou de um conselheiro. Nesta feira de exibições o instituto jurídico da colaboração premiada encontra terreno fértil para fazer com muito sucesso a promoção de delações nunca antes imaginadas. E para complicar um pouco mais a opacidade deste recurso econômico perverso, tramita atualmente no congresso nacional uma proposta de lei contendo medidas, entre outras, de criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos ou de responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa dois. Caso aprovada será mais um esforço no sentido de corrigir uma democracia desvirtuada pela corrupção e um sinal de alerta para todos que pretendem uma socie dade civil sequestrada, incapaz de contrariar a sua extorsão a céu aberto.

O descrédito que se instalá-la sobre a ação política afasta as pessoas da democracia e abre espaço para modelos organizacionais que a história já provou serem profundamente deficitários na procura de igualdade e justiça social. O voto tem assim um preço que precisa muito ser repensado para que com ele possamos adquirir melhores interlocutores e melhores políticas.


Rui Perdigão

Administrador, consultor e Presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso.


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As eleições passaram e, como é natural, os derrotados entram no período de catarse, para depois, de forma racional avaliarem os erros e se reciclarem para as próximas eleições sem perder de vista que a democracia é a alternância do poder.

 Ranger de dentes


As disputas, em todos os níveis, adotaram um tom francamente belicista e com uma novidade: a profusão de Fake News (mentiras) difundidas pelas redes sociais, em especial pelo aplicativo whatszapp, numa escala inédito e com características de uma autêntica "guerra híbrida". Há muita maracutaia camuflada e que ainda pode aflorar embora nessa área de TI, os Tribunais Eleitorais e o próprio TSE se revelaram totalmente despreparados para impedir a propagação de notícias falsas.

 Papo furado


O ministro Fux, que ocupou a presidência do TSE, fez muita viagem, inclusive pela Europa, acenando com as consequências das "Fake News" com possibilidade, inclusive, de anular uma eleição. É mais uma das muitas fanfarronices do ministro conhecido por "peruqueiro" já que usa o complementa para dar trato à silhueta com uma vasta cabeleira e acentuado topete. Algo tão falso quanto as suas próprias opiniões no estilo "biruta de aeroporto".

 Deu no que deu


Confrontos inúteis, falhas amadoras nas relações com a imponente casta do funcionalismo público, foram o pano de fundo para a derrota de Pedro Taques que sequer conseguiu levar a eleição para um segundo turno, mesmo com a pretensão de Wellington Fagundes. Se existe algo mais conservador do que o "tucanato", a rejeição ao governador de saída merece toda a culpa. O eleitor não aprovou a sua gestão.

 Esperanças e...a espera


A candidatura de Mauro Mendes, tanto quanto a de Jayme Campos, era fava contada. A sua gestão à frente da Prefeitura e o fato de ter evitado uma candidatura a reeleição para não reproduzir a "trajetória Wilson Santos" foram decisivas para o afastamento, nem tão afastado, da pretensão de Mauro Mendes chegar ao governo do Estado lastreado no prestígio de sua passagem pela Prefeitura da capital, construído, em grande parcela pelo desmedido apoio do governador Pedro Taques à sua gestão. Méritos próprios, sim, mas com um apoio inegável do governador apeado.

 Corecon, nova fase


Evaldo Silva, um dos líderes da Chapa 2 - "Valorizando o Economista", conseguiu traduzir de forma simbólica o esforço que, ao lado de colegas de ofício, pretende imprimir à gestão, a valorização profissional, resgatando a garra dos antigos associados, representados na homenagem que lhes foi prestada nas figuras do professor Fernando Avalia e da economista Agda Salceco, ainda militante aos 76 anos de idade. Um gesto respeitoso e bastante simbólico.

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Tá difícil escolher um candidato a governador. Tirante os desconhecidos, só safados.

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Luiz Roberto
Acho que o pau vai torar no segundo turno. O MM se não ganhar no primeiro não leva depois. Pode anotar. Quanto ao Corecon é mais uma das brigas como as do CRECI, CREA, CRA, CRM...Se é prestação gratuita de serviços é de estranhar tamanha generosidade. Algum benefício tem. Mesmo indireto, mas tem. Prestígio, por exemplo. Vale mais que dinheiro.

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Manoel Fernandes
Acho que o Corecon ganhou mais organização e seriedade. Sempre há uma ovelha manca em todo rebanho, mas, essa se machucou sozinha.

Domingo, 23 de setembro de 2018
Edvaldo
Entra conselho e sai conselho, Sindicados e Conselhos Regionais continuam na mesma. Um grupo que entra não quer sair e o que sai sempre quer voltar. Deve ser bom, né?

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