Cuiabá (MT), domingo, 16 de dezembro de 2018
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Sexta, 10 de março de 2017, 10h54
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Cuiabá 300 anos

Vinicius de Carvalho Araújo


Os municípios brasileiros enfrentaram muitos desafios desde a vigência da nova Constituição. A começar pela descentralização na prestação de serviços públicos, que passou a ser exigir muito mais das prefeituras.Eles saíram de cerca de 25% do total de servidores públicos em 1988 para mais de 50% na atualidade, colocando como o mais importante ente da federação no item atendimento ao cidadão.

No caso específico de Cuiabá vemos que esta pouca visão estratégica lhe custou muito caro. A partir da década de 1966 começou a ser implementado o projeto de aproveitamento agropecuário da Amazônia e do Cerrado, com expansão da fronteira. A capital foi estruturada para ser o grande centro comercial, industrial e de serviços que suportasse toda esta expansão.

Basta observar o crescimento populacional deste período, proporcionado pelo intenso fluxo migratório. A população foi mulitiplicada por cinco vezes e meio,  pulando de cerca de 80.000 habitantes em 1966 para 430.000 trinta anos depois. O Produto Interno Bruto seguiu trajetória muito mais ousada, crescendo mais de 13 vezes no mesmo intervalo de tempo. Isto significa dizer o PIB por habitante cresceu em torno de duas vezes e meia, tornando a cidade muito mais rica do que era no começo deste processo.

Em função deste processo acelerado e concentrado Cuiabá chegou a atingir 36% do PIB de Mato Grosso em 1996. Em decorrência do crescimento mais acelerado do interior comparado com a capital a sua participação caiu para patamares muito inferiores, chegando a um mínimo de 16% em 2008 e subindo para cerca de 20% em 2014. É possível que o resultado deste último ano reflita o impacto de mais um ciclo de ivestimentos públicos e privados na cidade, desta vez voltados para a realização da Copa do Mundo 2014. Esperemos para ver se a tendência se mantém.

Esta perda de participação denota, em grande quantidade, um descolamento entre os processos de desenvolvimento metropolitano e interiorano em Mato Grosso. Ela ficou um pouco perdida neste novo momento, tanto do ponto de vista econômico quanto político. A produção agropecuária praticada em Mato Grosso é referência internacional, mas naquilo que cabe à sua capital na divisão regional do trabalho, há ainda muitas falhas.

Depois de duas décadas e na proximidade do marco dos 300 anos, é chegada a hora de clarear a visão de futuro para a maior cidade de Mato Grosso. É o momento de optar pelo perfil socio-econômico mais adequado e envidar esforços neste sentido. Apenas uma visão de longo prazo pode permitir esta reflexão e oferecer o horizonte para o município. Ela deverá ser uma balizadora para os demais planos municipais, sendo revisada a cada gestão. Mas não se pode perder o horizonte de longo prazo, sob pena de ficarmos patinando por mais algum período.

O Rio de Janeiro aproveitou a comemoração dos seus 450 anos para elaborar uma visão de longo prazo denominada Rio 500. O produto final ficou muito bom. Entretanto, mais rico ainda foi o processo de construção, por meio de metodologia participativa nos conselhos da cidade e da juventude, boa parte da sociedade manifestou-se sobre suas expectativas para o município. Além do aspecto democrático, este nível de participação é fundamental para garantir a continuidade dos pontos centrais da visão de longo prazo, já que as rotatividades tão típicas do setor público serão balanceadas pela presença dos demais atores da sociedade civil e mercado.

Diante disto tudo, justifica-se a realização de processo semelhante em Cuiabá, mirando nos 350 anos. 


Vinicius de Carvalho Araújo

Analista político e professor universitário


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As disputas, em todos os níveis, adotaram um tom francamente belicista e com uma novidade: a profusão de Fake News (mentiras) difundidas pelas redes sociais, em especial pelo aplicativo whatszapp, numa escala inédito e com características de uma autêntica "guerra híbrida". Há muita maracutaia camuflada e que ainda pode aflorar embora nessa área de TI, os Tribunais Eleitorais e o próprio TSE se revelaram totalmente despreparados para impedir a propagação de notícias falsas.

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O ministro Fux, que ocupou a presidência do TSE, fez muita viagem, inclusive pela Europa, acenando com as consequências das "Fake News" com possibilidade, inclusive, de anular uma eleição. É mais uma das muitas fanfarronices do ministro conhecido por "peruqueiro" já que usa o complementa para dar trato à silhueta com uma vasta cabeleira e acentuado topete. Algo tão falso quanto as suas próprias opiniões no estilo "biruta de aeroporto".

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Confrontos inúteis, falhas amadoras nas relações com a imponente casta do funcionalismo público, foram o pano de fundo para a derrota de Pedro Taques que sequer conseguiu levar a eleição para um segundo turno, mesmo com a pretensão de Wellington Fagundes. Se existe algo mais conservador do que o "tucanato", a rejeição ao governador de saída merece toda a culpa. O eleitor não aprovou a sua gestão.

 Esperanças e...a espera


A candidatura de Mauro Mendes, tanto quanto a de Jayme Campos, era fava contada. A sua gestão à frente da Prefeitura e o fato de ter evitado uma candidatura a reeleição para não reproduzir a "trajetória Wilson Santos" foram decisivas para o afastamento, nem tão afastado, da pretensão de Mauro Mendes chegar ao governo do Estado lastreado no prestígio de sua passagem pela Prefeitura da capital, construído, em grande parcela pelo desmedido apoio do governador Pedro Taques à sua gestão. Méritos próprios, sim, mas com um apoio inegável do governador apeado.

 Corecon, nova fase


Evaldo Silva, um dos líderes da Chapa 2 - "Valorizando o Economista", conseguiu traduzir de forma simbólica o esforço que, ao lado de colegas de ofício, pretende imprimir à gestão, a valorização profissional, resgatando a garra dos antigos associados, representados na homenagem que lhes foi prestada nas figuras do professor Fernando Avalia e da economista Agda Salceco, ainda militante aos 76 anos de idade. Um gesto respeitoso e bastante simbólico.

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Tá difícil escolher um candidato a governador. Tirante os desconhecidos, só safados.

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Acho que o pau vai torar no segundo turno. O MM se não ganhar no primeiro não leva depois. Pode anotar. Quanto ao Corecon é mais uma das brigas como as do CRECI, CREA, CRA, CRM...Se é prestação gratuita de serviços é de estranhar tamanha generosidade. Algum benefício tem. Mesmo indireto, mas tem. Prestígio, por exemplo. Vale mais que dinheiro.

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Acho que o Corecon ganhou mais organização e seriedade. Sempre há uma ovelha manca em todo rebanho, mas, essa se machucou sozinha.

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Entra conselho e sai conselho, Sindicados e Conselhos Regionais continuam na mesma. Um grupo que entra não quer sair e o que sai sempre quer voltar. Deve ser bom, né?

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